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Sexta-Feira, 09 de Janeiro de 2009 | Última atualização ocorreu às 02:44hr

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Emergentes precisam ter mais voz nessas instituições, diz documento final.


Os ministros reunidos no fórum do G20, realizado neste final de semana em São Paulo defenderam, no documento de encerramento do encontro, a profunda reforma e o fortalecimento do papel do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial na atual crise financeira, com uma maior representação dos países emergentes nesses organismos multilaterais.

 

"O FMI, o Banco Mundial e outras instituições financeiras internacionais têm um papel importante a representar, consistente com seus mandatos, de ajudar a estabilizar e fortalecer o sistema financeiro mundial, avançar na cooperação internacional para o desenvolvimento e auxiliar os países afetados pela crise", diz o documento.

 

Os presentes ressaltaram que as instituições de Bretton Woods precisam de uma "reforma profunda", que reflita mais adequadamente os pesos da economia mundial e que seja mais responsivo a futuros desafios.

 

"Os países emergentes e em desenvolvimento deveriam ter mais voz e representação nesses organismos", diz o documento. "Essas reformas também devem levar em conta os interesses dos países mais pobres.”

 

Solução para a crise

Na declaração conjunta, os países apontaram que o maior desafio atual é solucionar a crise financeira de uma maneira "durável", e mitigar o impacto da turbulência financeira na atividade econômica mundial, por meio de açoes compreensivas e coordenadas entre os países.

 

"O G20, com sua ampla representação das economias sistemicamente importantes, tem um papel crítico a representar, assegurando a estabilidade econômica e financeira global e, com esse propósito, está comprometido a incrementar sua colaboração."

 

A proposta do governo brasileiro, também divulgada ao fim do encontro, vai levar à reunião de chefes de Estado do G20, no próximo dia 15, em Washington (EUA), inclui a criação de um órgão de alerta de risco nas economias, que funcionaria nos moldes de agências privadas, como a Standard & Poor's e a Fitch.

 

O documento também reforça a reformulação de instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Com maior participação de emergentes, esse "FMI reformulado", de acordo com a proposta brasileira, poderia ser responsável pela medição do risco das diferentes economias.

A proposta formaliza as recentes declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo o documento, o objetivo é transformar o G20 em um grupo de chefes de Estado e de governo, e não mais de ministros e presidentes de bancos centrais, como acontece atualmente.

 

Entre as mudanças propostas para o grupo está a realização de pelo menos duas reuniões anuais, antes dos encontros periódicos do FMI e do Banco Mundial, e não apenas uma, em novembro, como ocorre atualmente. “(O G20 deverá) priorizar deliberações com resultados práticos em termos de políticas públicas”, diz o documento.

 

Palavra de Mantega

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou neste domingo, na entrevista coletiva de encerramento da reunião do G20, que o grupo poderá coordenar ações contra a atual crise financeira, considerada a pior em 80 anos. “A maioria dos países concorda que se deva fortalecer o G20 e que ele deve ter um papel maior”, ressaltou.

 

De acordo com Mantega, houve concordância de que os países devem realizar uma política "anticíclica, fiscal e monetária", adequadas às condições de cada país. Foi apontada ainda, disse o ministro, a necessidade de os países avançados ajudarem os emegentes com relação ao fluxo financeiro.

 

O ministro disse acreditar que cada país saberá "calibrar" a politica de juros de acordo com sua peculiaridade. "Aqui no Brasil as autoridades monetárias saberão regular suas políticas para esse novo cenário", ressaltou.

 

Segundo Mantega, a crise financeira não pode esperar a reforma do sisitema para dar soluções. "As soluções têm que ser mais imediatas. Vamos ter que trocar a roda do carro com ele em movimento."