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Marília Gabriela estuda mulheres que amam demais
01/12/2008 - 14:49:43 - Folha Online
Marília Gabriela ama com intensidade, apaixonadamente. Mas também desama demais
Marília Gabriela ama com intensidade, apaixonadamente. Mas também desama demais e, em alguns casos, rapidamente. Nunca ficou doente, ela garante, como as personagens de seu novo livro, "Eu que Amo Tanto", que traz depoimentos de 13 mulheres que enlouqueceram, literalmente, de amor.
"Acho muito curioso que, por trás desse material tão nobre que é o amor, possa existir uma patologia, um desvio, uma perversão mesmo", disse a jornalista e atriz à Folha. "Eu nunca fui obsessiva, não conheço este tipo de sofrimento que essas mulheres conhecem." O livro nasceu de um encontro com o amigo e fotógrafo catalão Jordi Burch e da vontade de trabalhar num projeto sobre o tema amor.
Marília foi então atrás do grupo de apoio Mada (Mulheres que Amam Demais Anônimas), que reúne diferentes idades e classes sociais. Ela as convidou para participar do livro e colheu suas histórias em sua casa, em São Paulo. Burch ficou a cargo das imagens, registrando essas mulheres que, no livro, surgem anônimas. As 49 fotografias serão expostas na galeria Nara Roesler, a partir de amanhã, mesmo dia e local de lançamento do livro.
"Eu as ouvi, fiz perguntas, gravei estas conversas. Depois, deixei muito claro que não usaria nenhum nome e que interpretaria o que elas me disseram. Disse que ia fazer uma história, literalizar e, de alguma forma, embelezar esse texto", explicou Marília.
O livro surgiu em momento de "exílio", quando a atriz passou 10 meses gravando novela no Rio de Janeiro. "Tive que ficar comigo mesma em profundidade, em muita solidão, revendo minha vida, me fazendo perguntas", disse Marília, que, aliás, não está amando no momento. "O livro ajudou a me entender como mulher, a entender o que acontece nos relacionamentos afetivos, em como fazemos nossas escolhas."
Famílias
Os 13 contos foram escritos em primeira pessoa, com estilos diferentes para caracterizar cada personalidade. Não falam sobre os encontros da Mada e sim das experiências pessoais. As histórias são curtas, rápidas, às vezes contadas como um desabafo, outras como numa conversa de bar. Surgem como drama pesado, novelesco, ou com uma pitada de comédia.
No capítulo "A Angústia", há até violência misturada a ciúme doentio, que acaba em internação e vontade de morrer. "Chutei, chutei e hoje sinto mais esta culpa quando vejo ele mancar", diz a primeira personagem do livro. "Culpa e angústia, belas companhias que arranjei para mim!".
Em outro conto, uma menina jovem, modelo, narra sua obsessão frenética, "internética". "Ele me vigia e eu a ele. Acho que foi por isso que inventaram o Orkut, para perpetuar a vigilância, perseguir a neurose", diz outra mulher, obcecada também pelo celular, chegando a ligar 78 vezes seguidas para o namorado, no mesmo dia.
Em todos os registros, de uma maneira ou de outra, fala-se em família, quase sempre problemática. "O que me pareceu muito latente nesta amostragem é que muitas repetem seus pais em seus homens. E um bocado delas tem questões para resolver com suas mães.
Agora, não tenho a menor dúvida de que somos resultado de nossos lares", disse Marília.
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