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Terça-Feira, 09 de Fevereiro de 2010 | Última atualização ocorreu às 13:11hr

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O vírus da gripe suína, do tipo influenza A, dissemina-se entre as pessoas da mesma forma que o das gripes

Sem casos de gripe suína confirmados, o Brasil vê aumentar a procura por máscaras cirúrgicas, uma das indicações para prevenir o contágio. Fabricantes do produto no país também aumentaram a produção, para dar conta da demanda nos próximos dias.

O vírus da gripe suína, do tipo influenza A, dissemina-se entre as pessoas da mesma forma que o das gripes convencionais, por meio de gotículas emitidas pelo espirro ou a tosse do doente. Por isso, o uso de máscaras tem sido recomendado pelo Ministério da Saúde aos turistas brasileiros que forem para áreas afetadas pela doença --no Brasil, esses produtos precisam de certificação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e recebem um selo na caixa.

A Descarpack, que fabrica o produto em São Paulo, afirma que decidiu dobrar seu volume de produção do produto de 8.000 para 16 mil máscaras por dia. Em geral, a empresa vende cerca de 100 mil unidades por semana, mas já atingiu esse volume entre segunda-feira e ontem.

"Mesmo assim, vai faltar. Nossa produção é limitada", afirma Camila Gonçalves, supervisora de vendas da fabricante. O modelo mais procurado é uma máscara com carbono ativado, usada para evitar a contaminação por tuberculose.

"Desde sexta-feira estamos recebendo muitas consultas", afirma a 3M, outra fabricante de máscara, em nota --a empresa não revela dados de produção. "Notamos também a preocupação de subsidiárias de empresas internacionais instaladas no Brasil que nos consultaram para eventual transferência de material para os países mais afetados."

Guardando em estoque

Esse aumento na produção acontece em razão da maior demanda das distribuidoras, que querem estocar o produto para o caso de a gripe suína chegar efetivamente ao Brasil. A Lunamed, que oferece as máscaras para farmácias e hospitais, afirma que decidiu comprar 12 vezes mais itens como esse do que em um mês comum, quando comercializa 7.000 unidades.

"Ontem o produto ficou em falta, o que não é comum, então resolvemos antecipar os pedidos, porque tem grandes redes de farmácias buscando isso", diz Jairo Bastos Pereira, diretor comercial da Lunamed.

Em algumas lojas, certos modelos já estão esgotados. "Se tivesse 2.000 máscaras, teria vendido todas", diz Luiz Antônio da Silva, sócio-administrador da Cirúrgica São Paulo, loja de produtos médicos localizada na capital paulista. De acordo com ele, a maior parte dos clientes quer comprar unidades para mandá-las a parentes que moram no exterior, em países afetados pela doença, como o México.

Opções de proteção

Há no mercado diferentes tipos de máscaras: as convencionais, mais finas e baratas, chamadas de "cirúrgicas" e as conhecidas como "N95", que são grossas e têm melhor poder de filtragem para partículas --grande parte dos modelos tem um "bico" maior na área da boca. As primeiras custam, em média, entre R$ 5 e R$ 10, para uma caixa com 50 unidades. As máscaras mais sofisticadas saem por R$ 1,50 e R$ 4 cada uma, mas os preços variam bastante entre as lojas.

Entretanto, de acordo com Clarisse Martins Machado, pesquisadora do laboratório de virologia do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, não há estudos que comprovem cabalmente que as máscaras funcionem. "Por precaução, é bom usar, porque bem ou mal é uma barreira, não deixa as gotículas atravessarem. É esperado que ela tenha uma eficácia ao menos parcial", diz.

Segundo especialistas, o modelo comum, mais simples, já é suficiente para prevenir a gripe suína, pois protege o nariz e a boca. "Para um caso comum de influenza, que não requer o isolamento de grandes distâncias, as máscaras cirúrgicas já são suficientes", afirma Luis Fernando Aranha Camargo, infectologista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Onde usar

Para o médico, não é necessário usar a máscara o tempo todo --apenas quando há contato com pessoas doentes ou em grandes aglomerações. Camargo afirma ter achado "um exagero" a foto de um homem usando máscara em um estádio de futebol vazio na Cidade do México. Em locais como cinemas, teatros e no transporte público é altamente recomendável o uso do acessório.

Outras medidas de prevenção incluem não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal e lavar as mãos com frequência, por 15 a 20 segundos, usando água e sabão ou até gel à base de álcool, especialmente depois de tossir ou espirrar. É bom evitar levar a mão aos olhos, ao nariz ou a boca.
 

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