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Segunda-Feira, 22 de Março de 2010 | Última atualização ocorreu às 07:16hr

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Ele usava número de registro do pai; caso foi no interior de São Paulo.

Um homem formado em sociologia é suspeito de atuar ilegalmente como médico e até receitar remédios em São José do Rio Preto, a 438 km de São Paulo. A clínica é particular e faz exames exigidos pelo Ministério do Trabalho.

Com uma câmera escondida, a reportagem flagrou o atendimento. O homem, que se apresenta como médico da clínica, pergunta se há algum problema de saúde com a produtora que foi atendida como paciente. Logo depois, ele examina os olhos, a garganta, ouve os batimentos cardíacos e constata pressão alta.

O homem diz que, apesar do problema, vai liberar a paciente para o trabalho. Uma outra produtora, que se apresentou como mãe da moça examinada, perguntou se a pressão alta daria algum problema “para ela entrar no serviço”. O homem responde: “Não, eu não vou bloquear não. Você me promete que vai tomar o remedinho que eu vou te passar, está bom?”.

Em outra sala, ele prescreve a receita no computador e assina o papel. Na receita está o número do registro no Conselho Regional de Medicina. Basta fazer uma pesquisa rápida na internet, no site do conselho, para descobrir que o número do registro da receita é, na verdade, do pai do suposto médico.

Na tarde desta segunda-feira (25), a reportagem voltou à clínica. O homem afirmou que a profissão dele é mesmo outra: “Eu sou sociólogo”, disse. Ao ser questionado se realizava consultas na clínica, ele negou.

A denúncia chegou ao Ministério Público, que investiga o caso. A pena para o crime de exercício ilegal da medicina pode chegar a dois anos de prisão. O pai do homem que se passa por médico do trabalho também poderá ser punido.

Na noite desta segunda-feira, a pedido do Ministério Público, a polícia foi até a clínica para apreender documentos. Segundo o Conselho Regional de Medicina, se for considerado culpado, o pai do sociólogo pode sofrer punições que vão desde censura pública até a perda total do direito de trabalhar.

 

Editor-chefe: Eric Costa

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