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Terça-Feira, 16 de Março de 2010 | Última atualização ocorreu às 17:05hr

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Região de Viçosa (CE) teve mais que o dobro do volume médio de chuvas.

Chegou a seis o número de mortos em consequência do estouro da Barragem de Algodões, no Piauí. Desabrigados e desalojados chegam a quase três mil pessoas. A força da enxurrada destruiu estradas e isolou parte do litoral do estado.

A água que vazou da represa chegou com força a outras áreas da Zona Rural de Buriti dos Lopes (PI).

 

Além de destruir casas, a enxurrada derrubou uma ponte na BR-343 e abriu duas crateras na rodovia, que liga Teresina a Parnaíba (PI) e Luís Correa (PI), no litoral. Para chegar a essas cidades por terra, só viajando pelo Maranhão ou pelo Ceará, o que aumento o percurso em 200 quilômetros.

 

As equipes de resgate encontram dificuldades para chegar aos locais onde antes existiam vilas e fazendas. Dois municípios estão sem luz elétrica e não há previsão para a solução do problema, pois as linhas de transmissão precisam ser reconstruídas.

 

Nas escolas, que servem de abrigos improvisados, as famílias sofrem com a falta de luz. Os desabrigados precisam de roupas, alimentos e remédios.

Nos abrigos, muito sofrimento. A agricultora Maria de Fátima Pereira perdeu a filha de 10 anos. Outra filha dela, de 16 anos, permanece desaparecida. “Não deu tempo de fazer nada, de ir atrás delas. As pessoas que perderam a casa, perderam o gado, perderam as coisas, com o tempo, podem conseguir de novo. Mas minhas filhas eu não consigo mais”, diz.

Chuva no Ceará

Parte do volume de água que provocou o rompimento da Barragem de Algodões teve origem no Ceará. O Rio Pirangi nasce em Viçosa, no Norte do Ceará, e até chegar ao Piauí recebe água de vários afluentes ao longo de 60 quilômetros. O Rio Pirangi é represado pela Barragem de Algodões.

A região de Viçosa recebeu mais do que o dobro do volume médio de chuvas registrado no período. Desde o início do ano, 17 pessoas morreram no estado por causa das enchentes.

Investigação

O Ministério Público Federal no Piauí está investigando o rompimento da barragem. Peritos da Polícia Federal vão ajudar na investigação.

Os procuradores querem saber o motivo pelo qual os moradores, que haviam sido retirados às pressas dos arredores da barragem há 15 dias, foram autorizados a voltar para as casas.


O rompimento teria sido causado porque água que passava pelo ponto de escoamento provocou uma erosão do solo. Na ata da reunião realizada por representantes do governo do Piauí, prefeitura de Cocal e Corpo de Bombeiros, na semana passada, o engenheiro responsável havia descartado a possibilidade de rompimento da barragem.


Na próxima semana, uma comissão do Conselho Regional de Engenharia do Piauí (CREA-PI) vai ao local para analisar a barragem. “Qualquer opinião atualmente seria apenas uma mera opinião que não contribuiria muito. O certo é que os especialistas vão comparecer para fazer o trabalho que tem de ser feito”, afirmou o presidente do CREA no Piauí, João Borges de Souza.
 

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