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Quinta-Feira, 18 de Março de 2010 | Última atualização ocorreu às 22:04hr

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Ainda não há confirmação que destroços encontrados sejam do Airbus.

A região onde foram encontrados destroços que podem ser do voo AF 447 tem, em média, quatro quilômetros de profundidade, segundo o oceanógrafo Moysés Tessler, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo. A área é bastante próxima a uma grande cordilheira submarina, que divide o continente americano da África e da Europa.

 

“A profundidade média dessa região é de quatro quilômetros. Em algumas áreas um pouco mais, em outras um pouco menos. Isso é considerado oceano profundo”, explica o cientista. “Não há atividade humana praticamente nenhuma por ali”, diz Tessler.

 

 

Foto: Fonte: Instituto Oceanográfico da USP Mapa mostra média de profundidade na área (Foto: Fonte: Instituto Oceanográfico da USP)O fundo do mar ali não é plano, mas irregular e montanhoso. “É uma região muito próxima da cordilheira meso-oceânica”, explica o pesquisador. Essa cordilheira foi formada pela separação dos continentes sul-americano e africano. Essa separação, que é lenta e contínua, abriu bacias de grande profundidade entre a cadeia de montanhas e os continentes.

 

A pressão atmosférica em uma profundidade tão grande é imensa. Em média, a cada 10 metros de profundidade, a pressão aumenta uma atmosfera (a unidade de medida -- uma atmosfera corresponde à pressão observada ao nível do mar).

 

A caixa preta do avião é feita para suportar mesmo essas condições extremas. As chances são boas que ela tenha sobrevivido ao desastre. O desafio é encontrá-la.

 

Segundo reportagem da agência de notícias Reuters, para resgatar a caixa preta será necessário colocar minissubmarinos trabalhando no limite. A profundidade é demais para qualquer submarino tripulado. De acordo com a agência, um relatório da Marinha dos Estados Unidos divulgado em 2008 afirmou que seria possível resgatar destroços e até a caixa preta de aviões caídos a até seis quilômetros de profundidade no oceano.

 

Em 1987, foi possível recuperar as gravações de voz de um voo da South African Airways que caiu no oceano Índico a 4,2 quilômetros de profundidade, segundo a Reuters.

 

Destroços

Ainda não há confirmação que os destroços encontrados sejam partes do Airbus da Air France desaparecido no caminho entre Paris e Rio de Janeiro na noite de domingo (31) com 228 pessoas a bordo -59 delas brasileiras.

 

O coronel Jorge Amaral disse que objetos foram visualizados por aviões da Força Aérea Brasileira em dois pontos distintos, distantes 60 km entre si, a cerca de 650 km a nordeste da Ilha de Fernando de Noronha.

 

Segundo ele, um avião radar R-99 que havia saído às 22h35 de segunda-feira do arquipélago de Fernando de Noronha detectou sinais eletrônicos por volta da 1h desta terça. E, por volta das 5h25 desta terça, uma aeronave C-130 avistou objetos metálicos e não-metálicos que podem ser do Airbus.

 

Foto: Força Aérea Brasileira Mapa feito pela FAB mostra local onde vestígios foram encontrados (Foto: Força Aérea Brasileira)Teriam sido vistos uma poltrona, uma boia laranja, um tambor, objetos brancos, além de mancha de óleo e querosene, segundo a Aeronáutica. Imagens dos objetos devem ser divulgadas no final da tarde , segundo a Aeronáutica.

 

Leia também: FAB manda mais aviões e efetivos para a busca

 

Os objetos foram encontrados no segundo dia de buscas. O avião, um Airbus 330-200, havia partido do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, às 19h30 de domingo. A meio caminho entre Brasil e África, ele atravessou uma área de turbulência e perdeu contato com os radares. Mensagem automática indicou que a aeronave sofreu uma pane elétrica, segundo a companhia.

 

Chances escassas

 

As autoridades francesas reconheceram que são escassas as possibilidades de encontrar sobreviventes, mais de 30 horas depois do acidente, ocorrido em uma zona marítima de grande profundidade, pouco mais de quatro horas depois da decolagem do Aeroporto do Galeão, no Rio.

 

Editor-chefe: Eric Costa

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