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Dólar começa julho valendo R$ 1,92

01/07/2009 - 17:45:30 - Valor OnLine


Ao final do pregão, o dólar comercial era negociado a R$ 1,927 na compra e R$ 1,929 na venda, queda de 1,78%

Finda a briga para a formação da Ptax (média das cotações ponderada pelo volume), os vendedores voltaram a dar o tom dos negócios no mercado de câmbio, ajudados pela melhora de humor externo.

 

Ao final do pregão, o dólar comercial era negociado a R$ 1,927 na compra e R$ 1,929 na venda, queda de 1,78%. O preço é o menor em três semanas.

 

Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a moeda teve baixa de 1,68%, encerrando também a R$ 1,929. O giro financeiro na bolsa somou US$ 254 milhões, pouco superior ao observado ontem. No interbancário, o volume passou de US$ 2,4 bilhões.

 

Segundo analista de câmbio da Corretora Liquidez Mário Paiva, a queda no preço da divisa americana foi reflexo da melhora generalizada de humor que marcou o primeiro dia de negócios de julho.

 

O analista ressalta que alguns indicadores contribuíram para esse quadro de alta nas bolsas e commodities e menor demanda por dólar, como a melhora no índice de atividade na China, Reino Unido e zona do euro.

 

Ainda de acordo com Paiva, a tendência para o dólar segue de baixa. E durante o mês a taxa deve testar a linha de R$ 1,90, que representa uma grande suporte técnico e psicológico.

 

"A perspectiva aponta para novas entradas de dólares. Temos ofertas de ações e captação de empresas. As coisas esta voltando ao normal", resume Paiva, ressaltando a atratividade do país ao investimento externo.

 

Os investidores também avaliaram os dados do mercado de câmbio apresentados pelo Banco Central. Na semana encerrada dia 26 de junho, o fluxo ficou negativo em US$ 1,607 bilhão. Com isso, no acumulado de junho até o dia 26, as saídas superavam as entradas em R$ 1,227 bilhão.

 

Mesmo com a quantidade de dólares que sai do mercado superando a que entra, a autoridade monetária continuou com as compras no mercado à vista, embora em volume menor. Na semana terminada no dia 26, as compras somaram US$ 92 milhões, cifra bastante inferior aos US$ 242 milhões tomados na semana anterior. Já no acumulado do mês de junho, até o dia 26, as intervenções somavam US$ 1,689 bilhão.

 

Para o especialista, tal postura do BC deve ser vista de forma positiva, já que a recomposição de reservas internacionais mostrou sua importância durante a crise, dando liquidez e confiança aos investidores.

 

Ainda hoje foi divulgado que o saldo comercial de junho ficou superavitário em US$ 4,625 bilhões, melhor resultado desde dezembro de 2006. A sobra refletiu exportações de US$ 14,648 bilhões contra importações de US$ 9,843 bilhões.

 

Com tal resultado, o superávit comercial no primeiro semestre foi de US$ 13,937 bilhões, cifra 23,8% maior que a registrada em igual período do ano passado.

 

Olhando esses números, parece que a crise externa teve pouco impacto sobre o comércio externo brasileiro. Mas tal quadro ganha outro contorno quando se analisa a corrente de comércio (exportações mais importações). Nos seis primeiros meses, a corrente somou US$ 24,311 bilhões, o que representa uma queda de 29,4% em comparação com o primeiro semestre de 2008.

 

Como ressaltou a consultoria UpTrend, esses números evidenciam os efeitos da crise no comércio brasileiro, com queda na demanda externa por produtos brasileiros e recuo na demanda interna por produtos importados.

 

(Eduardo Campos | Valor Online)
 

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