Em cima da hora | Mais lidas de hoje

Sexta-Feira, 19 de Março de 2010 | Última atualização ocorreu às 23:53hr

RSS Feeds Bookmark e Compartilhe

Talvez fosse melhor não dizer nada, mas se é o direito de expressão que está em jogo, devo falar

Talvez fosse melhor não dizer nada, mas se é o direito de expressão que está em jogo, devo falar. Não é a primeira vez que repórteres humorísticos levam, no popular, porradas em vez de resposta.

Como eu suponho que dezenas, ou quem sabe, centenas de portais de notícias já divulgaram o fato, vou me limitar a comentar como se voce já estivesse ciente do que houve em Brasília hoje à tarde. Antes, porém, vou tomar emprestado o resumo do Portal IG:

"BRASÍLIA - O repórter Danilo Gentili, do programa Custe o Que Custar (CQC) da Band, foi derrubado pelos seguranças do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), nesta quarta-feira. Na chegada do peemedebista à Casa, Gentili tentou perguntar a Sarney 'como é não ser tão poderoso quanto se pensava', quando foi agarrado e levado ao chão pelos policiais que escoltavam o mandatário do Congresso.

Primeiro: O trabalho de um segurança pessoal deve ser defender o 'segurado' de agressões físicas. O Danilo Gentile, com microfone na mão, um repórter, ao avançar em direção ao presidente do Senado, se enquadraria no perfil de um agressor?
Resposta: Duvido.

Segundo: O presidente José Sarney paga jagunços para mantê-lo livre do assédio da imprensa?
Resposta: Não sei. Só ele sabe responder a essa pergunta (aliás, só estou me sentindo seguro para perguntar porque estou aqui, em minha casa).

Terceiro: "repórter humorístico" afinal trata-se de um trabalho sério ou humorístico?
Resposta: Claro que trata-se de uma piada. A ideia é aloprar. Quem quiser ser tratado com seriedade, aja com seriedade. Quem quiser ser o bobo da corte, acostume-se com cambalhotas.

Quarto: Sarney teria decidido encerrar a sessão plenária de hoje, por volta das 16h, em razão da morte do deputado Dr. Pinotti (DEM-SP).
Resposta: Conta outra. Há mais mistérios entre essa evasiva e a realidade do que sonha nossa vá filosofia. Só não sei o que ele ganha adiando o assunto em pauta.

Quinto: Segundo divulgado pela imprensa, a pergunta de Danilo a Sarney seria: "Se o senhor sair da presidência a crise vai acabar ou ficar pior que antes?" Está claro que essa é uma pergunta capsiosa, que obriga a pessoa admitir culpa ou desoneração do respeito próprio em qualquer das duas hipóteses. Trata-se de uma pergunta que carrega consigo duas alternativas, sem escolha, onde de qualquer forma a pessoa se compromete ao responder. Agora, olha a biografia de José Sarney (como disse meu conterrâneo de Garanhuns)! Isso são modos de uma pessoa que espera ser respeitada aproximar-se de alguém?
Resposta: Como é a música do Marcelo D2? "Chega como eu cheguei, pisa como eu pisei, malandro é malandro!"

Sexto: "Ele tem direito de não falar. E eu tenho o direito de perguntar", observou Danilo.
Resposta: Depende. Todo direito tem a forma adequada de ser usufruído. Por exemplo, não é porque o trabalhador tem direito ao abano do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) que ele pode sair, num belo dia, durante o expediente, entrar numa agência da Caixa e sacar, em tempo estipilado por ele mesmo, esse direito. Ele terá que se submeter aos processos burocráticos que esse saque requer. Quando a pessoa quer gozar de um direito ao seu próprio modo, fatalmente esse direito sofre um questionamento.

Em fim, não há como cobrar respeito quando não se oferece respeito. Quando perde-se a total noção do que é correto geralmente a alienação está a caminho. Fazer cara de surpreso é, no mínimo, sinismo.
 

Editor-chefe: Eric Costa

Fale com este setor

Comercial: Anderson Soares

Fale com este setor

© 2008-2009 Tudo Agora. Seu agregador de conteúdo no Brasil.

Todos os direitos reservados à Anderson Soares & Cia. Ltda.