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O pau quebrou feio. Senadores batem boca sobre atuação da PF na Operação Satiagraha. Veja!
09/07/2008 - 23:27:43 - Folha Online
Os senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Pedro Simon (PMDB-RS) bateram boca nesta quarta-feira no plenário
Os senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Pedro Simon (PMDB-RS) bateram boca nesta quarta-feira no plenário do Senado ao apresentarem posições divergentes sobre a atuação da Polícia Federal na Operação Satiagraha, que prendeu nesta terça-feira o banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o investidor Naji Nahas.
Virgílio, acompanhado por outros seis senadores, se solidarizou ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, que classificou de "espetacularização" a atuação de agentes da PF ao mostrar imagens das prisões de Dantas, Pitta e Nahas. Simon, ao contrário, reagiu isoladamente às críticas dos parlamentares à conduta da Polícia Federal --numa insinuação de que os demais senadores temem futuramente serem investigados pela PF.
"Ser algemado acontece todo o dia na favela. Não imagine o senador Virgílio que estou aqui para bater palmas porque os cidadãos foram algemados. Mas é importante entender que, no Brasil, precisamos fazer com que a Justiça valha para todos. Temos que acabar com a impunidade", reagiu Simon.
Irritado, Virgílio subiu à tribuna do plenário para se contrapor ao peemedebista. Em um discurso inflamado, o tucano acusou Simon de ser um "decano da Casa" com postura de "alguém que acabou de chegar" ao se colocar publicamente contra os demais parlamentares somente para ganhar holofotes.
"Talvez seja um desserviço dividirmos de maneira simplória e falsa o plenário do Senado entre os que têm suposta conivência [com os crimes desvendados pela PF] e aquele único cavaleiro andante [Simon] que está sempre do lado do justo, do correto, remando contra 80 senadores que não se comportam de maneira adequada", ironizou Virgílio.
Apesar de se mostrar favorável às prisões ao afirmar que sente "desprezo" por Pitta, Nahas e Dantas, Virgílio disse que a prisão dos três "abre caminho para mais arbítrio, que amanhã poderá atingir Vossa Excelência [Simon] ou cada um de nós senadores."
O tucano chegou a insinuar que Simon estaria envolvido em irregularidades na indicação do presidente do Banrisul, Fernando Lemos --afilhado político do peemedebista-- por isso não teria autoridade para criticar as prisões efetuadas pela PF.
"Quem está irregular é o presidente do Banrisul", disse Virgílio. "Vossa Excelência está ocupando irregularmente o microfone", rebateu Simon irritado.
Após o bate-boca, o peemedebista também subiu à tribuna da Casa para criticar o discurso de Virgílio. "Será que ao longo da minha vida estive aqui como cidadão que quer aparecer, se expor para subir em cima da honra dos meus colegas? Se sou isso, sou um pobre diabo, aquilo que penso que não sou."
Visivelmente emocionado, Simon disse que pretende encerrar sua vida pública quando completar 80 anos. "Estou no fim de uma vida pública pela minha idade. E mesmo que não fosse pela idade, estou encerrando. Não sei se fico até o fim do meu mandato ou renuncio com 78 anos de idade", afirmou.
Depois da troca de ofensas, Simon e Virgílio se abraçaram no plenário.
Espetacularização
Com exceção de Simon, os senadores se solidarizaram às críticas de Mendes à postura da PF. O presidente do STF disse nesta terça-feira que a "espetacularização das prisões [na operação da PF] é evidente e dificilmente compatível com o Estado de Direito". Segundo o presidente do STF, o "uso de algema abusivo terá de ser discutido" no país.
Na semana passada, Mendes havia dito que o vazamento de informações sigilosas pela PF é "coisa de gângster" e "terrorismo lamentável".
O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) criticou a PF algemar pessoas "que não oferecem perigo". Na opinião do peemedebista, os abusos dos agentes federais devem ser condenados pelos parlamentares. "Eu não tenho o rabo preso, estou aqui para denunciar esses abusos, para que não haja espalhafato nessas operações", disse.
Virgílio, por sua vez, afirmou que "lastima" a postura da Polícia Federal. "Os agentes não podem se achar rambos, homens aranhas. Corrupto é para ser preso, mas eu não quero prisão arbitrária de ninguém."
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