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Recesso escolar aumenta número de crianças trabalhando nas ruas das grandes
13/07/2008 - 23:14:47 - Agência Brasil
São meninos e meninas, que vão para as ruas vender chicletes, balas e outros supérfulos
Com a chegada do recesso escolar de julho, um novo contingente de crianças e adolescentes se junta aos pequenos trabalhadores de todos os dias. São meninos e meninas, que vão para as ruas vender chicletes, balas e outros supérfulos, que possam interessar aos motoristas, no período em que deveriam brincar e descansar.
É o caso de Júnior (nome fictício), vendedor de chicletes em um sinal de trânsito de Brasília, que diz ter 12 anos e estar na sexta série do ensino fundamental. “Eu venho vender só nas férias. Venho com uma amiga da minha mãe, que trabalha numa banquinha aqui perto. Chego de manhã e vou embora no começo da noite”, conta.
Ele jura que tem tempo pra brincar, mas diz que trabalha de segunda a sexta-feira. “Por dia, ganho uns R$ 40. Aí dou o dinheiro pra minha mãe e fico com R$ 5. Ela compra coisas que a gente precisa, frutas, comida...”, diz, acrescentando que tem uma irmã de 5 anos.
A amiga da mãe de Júnior é Zenite Silva, vizinha dele na cidade satélite de São Sebastião, a 26 quilômetros de Brasília, uma das mais pobres do Distrito Federal. “Nós moramos no lote ao lado. O lote da família dele é bom, mas a casa ainda não está construída, eles moram num barraco”, explica.
Ela conta uma história diferente sobre a escolaridade de Júnior. Diz que o menino acabou de completar 11 anos e está atrasado na escola, cursando a terceira série do ensino fundamental. Mesmo assim, ela diz que isso não tem a ver com o trabalho e que o garoto vende chicletes por opção. “Ele vem porque quer e a mãe dele deixa. Eu não chamei, mas se ele quer vir ajudar, eu aceito”, diz, com o menino ao lado, confirmando.
Mas Zenite deixa claro o que pensa sobre o trabalho infantil. “Quando eu era pequena minha mãe tinha uma escadinha [de filhos], e eu com 8 ou 10 anos de idade já fazia tudo, lavava louça no rio, panelas de ferro. E eu não morri. Trabalho não mata ninguém não, faz a gente dar valor. Essas crianças de hoje recebem tudo na mão e não valorizam”, finaliza.
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