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Terça-Feira, 16 de Março de 2010 | Última atualização ocorreu às 13:30hr

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Superintendente de hospital afirmou que menino chegou ao local com pele fria e roxa

Apenas o laudo do Instituto Médico-Legal (IML) poderá dizer quanto tempo o bebê Gabriel Ribeira, de 7 meses, ficou sem respirar antes de morrer na creche Pedacinho da Lua, na Zona Norte de São Paulo. A afirmação é do médico Jorge Nakauchi, superintendente clínico do Hospital Nipo-Brasileiro, onde a criança foi atendida na sexta-feira (25) após o pai encontra-la na creche sem respirar.

Nakauchi, a médica Lucy Matsumoto, que atendeu Gabriel, e outro médico prestaram depoimento por quase quatro horas no 90° DP, no Parque Novo Mundo. O pai do garoto, Júlio César Ribeira, chegou a afirmar que teriam dito a ele no hospital que seu filho estava sem respirar há cerca de 30 minutos quando chegou ao local. Questionado sobre essa declaração de Ribeira, o médico disse que nenhum médico do hospital deu essa informação.

 

Segundo Nakauchi, pelo estado que a criança chegou ao hospital não é possível determinar o tempo. O médico também não quis dizer se a criança já estava morta ao chegar ao local. "Todos que chegam na emergência [em parada cardiorrespiratória] é feito o protocolo de reanimação", declarou. De acordo com o médico, só após o insucesso da reanimação é que se pode constatar que o paciente está morto.

O médico não quis dar detalhes do estado de saúde do menino nem sobre o que foi falado no depoimento, apenas afirmou que ele chegou ao hospital em estado de parada cardiorrespiratória, com a pele roxa e corpo frio. Segundo Nakauchi não é comum crianças da idade de Gabriel serem levados ao hospital nesse estado.

Na quarta-feira (30), 11 funcionários da creche, além da dona do estabelecimento, prestaram depoimento na delegacia. O advogado de defesa da escola, Roberto Rinaldi, mostrou os documentos apresentados à polícia: a ficha médica da criança e o diário escolar. Os documentos, segundo ele, são prova de que a versão do pai de Gabriel de que a família havia comunicado que o bebê tinha refluxo seria falsa. "Não houve comunicado algum", afirmou o advogado, acrescentando que a ficha médica teria sido preenchida pela mãe de Gabriel.

"Com quem está a verdade? Se a versão dele (do pai de Gabriel) sempre foi essa e nós sempre procuramos refutar. Nós entendemos sim que essa é uma situação das mais desagradáveis, mas o que não podem é enxovalhar e querer tornar essa escola uma nova Escola Base", disse o advogado em referência ao caso de 1994.

Segundo o advogado, duas professoras acompanharam Gabriel durante todo o tempo em que ele ficou na creche na sexta-feira. Na sala em que o menino estava, havia outras seis crianças. O advogado afirmou que elas chegaram a ver o menino mexer os dedos após ter sido colocado para dormir. Só o teriam visto novamente quando foram trocar a fralda e ele já estava roxo.

"Em momento algum, ela (a criança) apresentou sintoma de que poderia estar sofrendo de algum mal", disse, acrescentando que a criança estava virada para o lado da parede, o que impediu que as funcionárias vissem o momento exato em que a criança começou a ficar arroxeada. O advogado falou ainda que os bebês são monitorados de dez em dez minutos na creche.

Rinaldi voltou a afirmar que todos os procedimentos com relação a alimentação e cuidados posteriores foram tomados com a criança e contestou a afirmação feita pelo pai de Gabriel nesta tarde de que o menino teria agonizado por cerca de meia hora. "Gostaria que ele apresentasse a prova neste sentido", disse. "O tempo da morte só o laudo vai poder apontar. O tempo da morte e a causa da morte."

Ainda de acordo com o advogado, a creche possui 70 alunos. Desde que houve a morte de Gabriel, segundo ele, cinco crianças deixaram a instituição.


Pai desabafa
O pai de Gabriel afirmou na tarde da quarta-feira que seu filho morreu por falta de socorro e não por causa de refluxo gastrointestinal. "O meu filho estava com saúde. Não houve atendimento para o meu filho, não tinha pessoas preparadas [na creche]. Se tivessem pessoas preparadas para dar os primeiros socorros ao meu filho a tempo, nada disso teria acontecido, eu estaria com meu filho feliz em casa", afirmou o operador de máquina Júlio César Ribeira. Ele foi até o 90º Distrito Policial (Parque Novo Mundo) para falar com a imprensa.

Antes, a família estava insistindo que havia alertado a creche de que o garoto sofria de refluxo, o que poderia ter causado a morte. Na quarta, o pai disse que o filho tinha um refluxo comum a todas as crianças em sua idade.

"Por favor parem de falar do refluxo, porque o refluxo não teve influência nenhuma na morte do meu filho. Meu filho não teve socorro, é isso que não quero que aconteça nas outras escolas. Não é possível uma pessoa ter uma parada cardiorespiratória e não ter nenhum movimento no berço. Se tivessem olhando o meu filho o tempo todo, alguém teria visto, teria socorrido e meu filho não teria chegado duro no hospital", afirmou Ribeira.

 

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