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Terça-Feira, 02 de Dezembro de 2008 | Última atualização ocorreu às 12:32hr

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Maluf não deve saber que que o Instituto Dom Barreto, por exemplo, no Piauí foi eleita a melhor escola do Enem


O debate promovido pela TV Bandeirantes na noite desta quinta-feira, 31/07 foi marcado por ataques feitos pelos candidatos à prefeitura da cidade de São Paulo. Os políticos com experiência administrativa à frente do poder municipal ou do governo do Estado tiveram que se defender de acusações contra suas gestões. Paulo Maluf (PP), Gilberto Kassab (DEM), Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) foram os alvos. Também participaram do programa Renato Reichmann (PMN), Ciro Moura (PTC), Ivan Valente (Psol) e Soninha Francine (PPS).

O candidato Paulo Maluf (PP) atacou o ex-governador e candidato tucano Geraldo Alckmin dizendo que a educação na sua gestão foi pior que a do Piauí. "Porque a progressão continuada que você instalou é passar o aluno por decreto", disse.

Maluf não deve saber que que o Instituto Dom Barreto, por exemplo, no Piauí foi eleita a melhor escola do Enem em 2007.

Alckmin rebateu dizendo que a progressão foi implantada pelo PT, pelo secretário da então prefeita Luiza Erundina, o educador Paulo Freire. "E depois foi eleito o Paulo Maluf. Por que não acabou com a progressão continuada? Não entendi", se defendeu.

"Tem que dar reforço para o aluno, o rico não tem essa cultura da repetência, do fracasso. O dever do Estado não é punir. Se ela falta, é reprovada todo ano. Se ela não falta, por que não aprende então?. O Estado tem que dar a mão para criança. Precisamos investir no ensino infantil, não tem vaga na creche. Nas creches, existem 50 mil na fila de espera", disse Alckmin.

Maluf disse que Alckmin "não conhece a prefeitura". "No meu governo, não houve progressão continuada. Não fala que foi bom. Se o time foi bom, apanha e ganha de 5 a 0. Por que o seu governo foi a pior educação do Brasil, esse é o problema. Fazer garoto passar por decreto, quando ele chega no quarta série, não sabe ler nem escrever. Não colocarei a progressão continuada, todo ano tem que fazer exame. Se passar ótimo, senão vai ter que aprender", enfatizou.

Alckmin disse que São Paulo não é pior na educação, muito longe, está acima da média. "Acho que o candidato Paulo Maluf está desatualizado. Último Ideb, fizemos a USP leste pela primeira vez quase 50% são de escola pública, sem cota, por mérito. Pretendo criar a creche e a Enei, ensino infantil. A criança entra no primeiro ano sabendo ler e escrever. Vou fazer isso", prometeu o ex-governador.

No primeiro bloco do debate, cada um apresentou suas propostas para melhorar a qualidade do ar na capital paulista e reduzir a poluição. Em clima tranqüilo, os oito participantes se limitaram à apresentação de idéias, sendo que a única "alfinetada" partiu da petista Marta Suplicy contra o atual prefeito, Gilberto Kassab.

No segundo bloco, os candidatos que já estiveram à frente da gestão da capital aproveitaram para destacar suas realizações e criticaram ações das administrações adversárias. A primeira a falar, por sorteio, foi Soninha (PPS), que questionou Marta sobre o transporte público e criticou o Fura Fila e o Expresso Tiradentes. O que não evitou que ambas trocassem elogios.

Kassab criticou a administração estadual de Alckmin: "em relação à iluminação pública, o que atrapalha São Paulo é que no seu governo, na privatização das empresas, não foi colocado como obrigação delas que trocassem iluminação (onde estava faltando)".

Na terceira etapa do programa, os políticos deixaram de lado a postura comedida das duas partes anteriores e partiram para o ataque direto. O prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), foi o primeiro a questionar os adversários e dirigiu sua pergunta à Marta Suplicy para criticar o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Kassab questionou se Alckmin não teria cuidado dos postos de saúde da capital paulista, em referência às Unidades Básicas de Saúde (UBS), administradas pelo governo do Estado. Marta disse que os hospitais municipais estavam sucateados quando chegou à prefeitura e que é necessário aumentar o número de médicos nas UBS. Kassab rebateu afirmando que as unidades foram recuperadas em sua gestão e lançou um desafio a Marta: "comparar nossas gestões, em cada área". "Com prazer", respondeu a petista.

Geraldo Alckmin (PSDB) disse que prefeitura de São Paulo foi deixada em estado lastimável por Marta, com aumento de taxas e impostos, e que ela teria entregue as contas "quebradas". Marta Suplicy respondeu que se tratava de uma mentira, e afirmou ter deixado superávit no caixa da prefeitura.

Alckmin atacou novamente a petista, dizendo que se preocuparia com Marta ter afirmado que ficaria os quatro anos no cargo. "O fato é que a prefeitura foi entregue em estado um lastimável. Do ponto de vista da saúde, nenhum leito e com muitas taxas criadas". Marta disse que gostou do ataque, e afirmou que dava a oportunidade de rebater as "mentiras" do adversário.

Marta defendeu sua gestão dizendo que passou por momentos difíceis porque o ex-prefeito Celso Pitta "não pagou nenhum precatório" durante sua administração. A ex-ministra afirmou que as dívidas foram pagas em seu governo. Alckmin concordou com às criticas feitas à Pitta, mas também colocou que a ex-prefeita não pagou precatórios em sua administração.

Maluf escolheu Alckmin para perguntar sobre educação: "suas escolas eram piores que no Piauí". Ele questionou se o ex-governador manteria a progressão continuada. Alckmin disse que a progressão foi estabelecida pelo PT, que cria a cultura do fracasso e que ela deve acontecer apenas em caso de falta. Maluf respondeu que o tucano não conhece São Paulo e que a progressão continuada foi considerada o pior sistema de educação do Brasil. "O garoto chega à 4° série sem saber ler", disse.

No penúltimo bloco, os participantes tiveram que se defender diante das perguntas feitas por jornalistas. Paulo Maluf (PP) foi questionado sobre o fato de ter sido preso e Gilberto Kassab (DEM), por ter tido o nome incluído na lista de candidatos com pendências na Justiça, as chamadas "fichas sujas", da Associação de Magistrados do Brasil (AMB).

Kassab disse ser necessário haver transparência: "em uma democracia é necessário haver informação". Quando ao episódio dos e-mails enviados por ele para subprefeitos alertando sobre realização de pesquisa eleitoral, o atual prefeito afirmou que mandou o mesmo porque grupos buscam "tumultuar" as pesquisas regionais.

Já Maluf (PP) se defendeu dizendo que foi inocentado das acusações e ironizou a lista da AMB: "é como se um torcedor do Corinthias apitasse uma partida do Palmeiras".

O candidato do Psol, Ivan Valente disse que o PSDB, o PT e o PP praticaram a política neoliberal à frente da prefeitura. Afirmou ainda que a dívida pública explodiu no governo Celso Pitta e que todos agora pagam juros da dívida pública, o que impediria investimentos.