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Brasil acorda nesta segunda com duas medalhas de bronze no Judô. Saiba tudo!

11/08/2008 - 08:45:20 - Bruno Doro e Rodrigo Farah / Especial UOL


Leandro Guilheiro e Ketleyn Quadros faturaram bronze em suas categorias

Ciclo olímpico de lesões termina com medalha de bronze para Guilheiro

A segunda medalha do Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008 tem o mesmo dono da primeira de Atenas-2004: Leandro Guilheiro. Único medalhista do judô do país a voltar aos Jogos Olímpicos após quatro anos, o paulista retornou nesta segunda-feira ao pódio, para receber sua segunda medalha de bronze.

"Quando estava na área de standby, joguei ele mil vezes mentalmente. Foi mais bonito do que em Atenas. Já tinha lutado contra ele na Super Copa do Mundo e o joguei de uma maneira parecida, mas o golpe não foi tão perfeito", comemorou Guilheiro após a vitória por ippon sobre o iraniano Ali Malomat na luta decisiva pela medalha.

A conquista, porém, tem um gosto ainda mais especial para ele. O ciclo olímpico para a competição chinesa foi marcada por uma série de lesões. Desde 2004, o judoca sofreu três cirurgias, quatro problemas físicos sérios e não conquistou nenhum título importante fora do país.

Após as Olimpíadas de 2004, Guilheiro operou o pulso e o quadril, lesões antigas que incomodavam desde antes dos Jogos. Na seqüência, foi a vez do ombro, contundido quando ele forçou a volta das duas cirurgias anteriores, e mais uma vez foi para a mesa de operação.

Depois, teve problemas sérios nas costas. Com hérnia de disco, foi prata nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro e lutou mal no Mundial do Rio, ambos em 2007. Em 2008, porém, passou incólume, sem nenhum problema físico mais grave.

Ele mostrou isso em Pequim. Venceu suas duas primeiras lutas, e só perdeu na terceira, ao encontrar o campeão mundial Ki Chun Wang, da Coréia do Sul. Não foi páreo para o judoca de 19 anos. Mostrou garra, levou o combate para o golden score, mas foi eliminado ao sofrer um waza-ari.

Foi jogado para a repescagem e, lá, recuperou a força. Na primeira luta, passou pelo uzbeque Shokir Miminov, por ippon. Na final da chave dos perdedores, o rival foi o ucraniano Gennadii Bilodid, que evitou o confronto e acabou eliminado, com quatro punições.

Já o combate final foi encerrado em grande estilo pelo brasileiro. Guilheiro mostrou muita velocidade para aplicar um belo seoi-nague sobre o iraniano Ali Malomat e ficar com o terceiro lugar após 23 segundos de luta.

Antes do bronze, ele já tinha tido uma de suas melhores temporadas no circuito europeu. Em três torneios disputados, ficou com o bronze em dois, nas Super Copas do Mundo de Hamburgo e de Moscou.

História
Com a disputa pelo bronze, Guilheiro honrou a tradição dos leves brasileiros. Desde Atlanta-1996, a categoria lutava por medalha. Em 1996, Sebastian Pereira foi derrotado. Em Sydney-2000, Tiago Camilo foi vice-campeão. E em Atenas-2004, o próprio Guilheiro já tinha ido ao pódio.

Além disso, ele é o primeiro judoca a conquistar duas medalhas em Olimpíadas seguidas. O único com dois pódios olímpicos é Aurélio Miguel, campeão em Seul-1988 e bronze em Atlanta-1996.


Ketleyn fatura bronze e melhor marca individual das mulheres brasileiras

O Brasil conquistou pela primeira vez uma medalha olímpica em provas individuais femininas. A judoca Ketleyn Quadros entrou para a história nesta segunda-feira ao derrotar a australiana Maria Pekli e conquistar o bronze, a primeira medalha do país nas Olimpíadas de Pequim.

Até então, o melhor resultado de uma brasileira em provas individuais olímpicas foi o quarto lugar. A primeira a alcançar este resultado foi Aída dos Santos, mãe da ponta Valeskinha da seleção de vôlei, no salto em altura em Tóquio-1964. Quarenta anos depois, Natália Falavigna ocupou este posto na categoria acima de 67 kg do taekwondo, após ser derrotada pela venezuelana Adriana Carmona.

As medalhas femininas resumiam-se até esta manhã a esportes coletivos. Em Atlanta-1996, o basquete foi prata, o vôlei levou o bronze, e as maiores glórias ficaram com o vôlei de praia, que fez a final e conquistou ouro (com Jacqueline e Sandra) e prata (Adriana Samuel e Mônica).

Quatro anos depois, o basquete e o vôlei terminaram em terceiro lugar, enquanto o vôlei de praia faturou prata (Adriana Behar e Shelda) e bronze (Adriana Samuel e Sandra). Já em Atenas-2004, o país só subiria ao pódio feminino novamente com Adriana Behar e Shelda, vice-campeãs do vôlei de praia, e com o futebol, também derrotado na decisão.

O feito histórico foi um desabafo para Rosicléia Campos, técnica da seleção brasileira e que participou das Olimpíadas de Barcelona-1992 e Atlanta-1996. "Quando eu falei que ia mudar a história, muita gente não acreditou", disparou, após a conquista do bronze.

A treinadora tratou de enaltecer o trabalho da equipe feminina, que já havia registrado no Pan do Rio de Janeiro a sua melhor participação em um evento deste porte. "Este trabalho é de muitas mãos, estas meninas são maravilhosas. Elas precisavam de alguém que acreditasse nelas e eu acreditei", desabafou.

Para assegurar a medalha, Ketleyn precisou mostrar grande forma na luta decisiva. Desde o início do combate, a brasileira conseguiu melhor pegada e dominou a rival. No segundo minuto, ela forçou uma punição à australiana por falta de combatividade e ficou na frente do placar.

Com o decorrer da disputa, a brasiliense permaneceu dominando a adversária. No fim, Pekli precisou se abrir e conseguiu devolver a punição para Ketleyn, levando o duelo para o golden score. Em melhor forma, a atleta do clube Minas Tênis ficou com a medalha após derrubar a rival por ippon com belo contra-golpe.

Antes de se classificar para a disputa do bronze, Ketleyn teve grande atuação ao longo do dia. Em sua primeira luta, ela superou a sul-coreana Sin-Young Kang por yuko. Já no duelo seguinte, ela encarou a holandesa Deborah Gravenstijn e até esteve perto de avançar às quartas-de-final. Ela fazia uma luta disputada até levar um koka de contra-golpe, suficiente para lhe tirar a vitória.

Já em sua primeira luta da repescagem, a brasiliense travou uma difícil disputa com a espanhola Isabel Fernandez, campeã olímpica em Sydney-2000 e mundial em Paris-1997. A vitória veio no golden score após os juízes punirem a atleta européia por uma entrada falsa.

Na final da repescagem, foi a vez de a japonesa Aiko Sato parar diante de Ketleyn. A brasileira acertou belo golpe no primeiro minuto de luta e conquistou o ippon. Após o golpe, a asiática precisou sair de maca para o centro médico do ginásio.

Ketleyn Quadros se classificou para as Olimpíadas após Danielle Zangrando se lesionar no início do processo seletivo e não ter condições de disputar o circuito europeu. A santista ainda reclamou que merecia ter outra oportunidade, mas Ketleyn foi confirmada como a titular do Brasil na categoria.

Editor-chefe: Eric Costa

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