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Terça-Feira, 02 de Dezembro de 2008 | Última atualização ocorreu às 13:02hr

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Atacante faltou à audiência. Segundo assessoria, ele está fora do país e não foi notificado.


Depois de pouco mais de três horas de audiência na 23ª Vara Criminal, a travesti Andréia Albertini, denunciada pelo Ministério Público por extorsão ao jogador Ronaldo Fenômeno, disse nesta terça-feira (19) que quer ficar mais uma vez frente a frente com o atacante. Pela segunda vez, Ronaldo não compareceu ao Tribunal de Justiça do Rio para ser ouvido como testemunha de acusação. Segundo sua assessoria, o jogador está fora do país e não foi notificado.

“Estou confiante, eu sei que eu tenho a verdade. Ele vai vir e a gente termina de esclarecer”, disse Andréia Albertini, que figura no processo do MP como André Luiz Ribeiro Albertini.

Além de Ronaldo, faltaram à audiência mais três das sete testemunhas arroladas pelo MP. Em jogo, está a reconstrução pela Justiça do que aconteceu entre as quatro paredes do Motel Papillon, na Barra da Tijuca, em abril deste ano, na confusão de repercussão internacional que envolveu o atacante, Andréia e mais dois travestis.

 

Ex-companheiro de Andréia foi ouvido
A primeira a ser ouvida foi a funcionária do motel Maria Lucia Cabral, que prestou depoimento por mais de uma hora. Em seguida foram ouvidos o garçom do estabelecimento, Leidson Moreira, e o policial militar Luiz Claudio Lima de Carvalho. O último a prestar depoimento foi o ex-companheiro de Andréia, Jorge Fernandes. A audiência, que começou às 15h15, só terminou por volta das 18h30.

Segundo o Tribunal de Justiça, a juíza Marta de Oliveira Cianni, da 23ª Vara Criminal, vai deferir o pedido do Ministério Público para que sejam oficiados outros órgãos, que poderão informar ao juízo mais endereços em que o jogador possa ser encontrado. Nos dois endereços fornecidos por Ronaldo, no início do processo, ele não foi localizado. Segundo sua assessoria, o atacante está fora do país. O advogado de Andréia, Eduardo Swiech, diz que a defesa não aceitar que o jogador deixe de ser ouvido.

“Queremos o contraditório, o face a face, queremos que ele venha aqui”, disse Swiech.

 

Travestis e delegado serão chamados pela defesa
O advogado vai chamar como testemunhas de defesa os outros dois travestis que presenciaram a confusão entre Andréia Albertini e Ronaldo. O advogado quer que preste depoimento ainda o delegado Carlos Augusto Nogueira, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), onde o caso foi registrado, e mais dois policiais civis, também da delegacia.

Andréia compareceu ao tribunal de visual novo, vestindo um terninho preto e com megahair afro nos cabelos, que, segundo ela, levou mais de oito horas para ser aplicado. Ela disse que o episódio de repercussão internacional foi um “calote que deu certo”, que deu uma reviravolta em sua vida e aumentou seu cachê.

Ela está escrevendo um livro contando a história de sua vida, desde a infância na cidade paulista de Ribeirão Pires ao caso Ronaldo, passando pelo momento em que virou travesti, aos 12 anos.

 

O Ministério Público estadual do Rio denunciou a travesti em maio deste ano. Na denúncia, o promotor Alexandre Murilo Graça diz que “André Luiz Ribeiro Albertoni, vulgo Andreia, mediante grave ameaça, constrangeu Ronaldo Luís Nazário de Lima, com o intuito de obter indevida vantagem financeira”.