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Trajetória acidentada da seleção termina com bronze de consolação
22/08/2008 - 10:59:13 - Bruno Freitas / UOL Esporte
A equipe de Dunga falhou nos momentos decisivos da missão nos Jogos de Pequim
A seleção masculina do Brasil cruzou o mundo com o objetivo fixo de livrar o futebol nacional de seu mais incômodo jejum: o de nunca ter conseguido uma medalha de ouro olímpica. No entanto, abaixo da expectativa, a equipe de Dunga falhou nos momentos decisivos da missão nos Jogos de Pequim e volta para casa com o bronze, em posição no pódio abaixo da tão sonhada conquista.
Depois da contundente derrota por 3 a 0 para a arqui-rival Argentina na semifinal, a seleção ficou com o bronze ao derrotar a Bélgica nesta sexta-feira em Xangai por 3 a 0 (gols de Diego e Jô), em um jogo em que se viu aplicação, a despeito da frustração pelo fracasso pelo ouro. No sábado, a equipe de Ronaldinho Gaúcho e companhia participa da festa de premiação no estádio Olímpico Ninho de Pássaro, ao lado dos finalistas argentinos e nigerianos.
Espécie de prêmio de consolação na China, a medalha é a quarta da seleção masculina em 11 participações olímpicas. Antes o Brasil tinha as pratas de Los Angeles-1984 e Seul-1988, além do bronze de Atlanta-1996. A coleção seguirá para Londres-2012 ainda com a carência do ouro.
O Brasil chegou à China depois de uma preparação olímpica acidentada e cheia de improvisos. O planejamento da comissão técnica não conseguiu achar alternativas para testar o time diante da escassez de datas internacionais da Fifa. Foram apenas dois jogos pouco produtivos antes da reunião definitiva para os Jogos de Pequim, nenhum deles contra seleções nacionais (combinado do Brasileirão-2007 e seleção do Rio de Janeiro).
Ao longo do caminho, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) ainda perdeu queda-de-braço com os clubes europeus na questão de liberação de jogadores acima da idade olímpica (23 anos ou menos). O Milan vetou a convocação de Kaká antes mesmo do anúncio da lista de Dunga. Mais adiante, uma jogada de bastidores do Real Madrid fez Robinho ser baixa.
Sem Kaká, apareceu a alternativa de se apostar em Ronaldinho Gaúcho, que vinha de um período de inatividade na Europa, em razão de sucessivos problemas físicos. A convocação da estrela teve a chancela pública da cúpula da CBF, em ato que soou como uma espécie de imposição à comissão técnica.
Antes de ir à China, Ronaldinho passou por um período intensivo de recuperação física junto com o preparador da seleção, Paulo Paixão. O astro conseguiu chegar mais leve aos Jogos, mas não alcançou nas Olimpíadas nível técnico que fizesse lembrar seus melhores dias. O camisa 10 desequilibrou apenas contra os semi-amadores da Nova Zelândia, na primeira fase, e depois viu a estrela se apagar. Foi praticamente um espectador na derrota para a Argentina na semifinal.
Na fase inicial das Olimpíadas, a seleção ainda foi envolvida em polêmica a respeito da proibição do uso de escudo de federação nacionais nos uniformes. O emblema da CBF esteve presente apenas no jogo de estréia e depois foi retirado para cumprimento da regra e para ceder à pressão do COB, em nome da candidatura brasileira. Tudo isso fez a equipe jogar descaracterizada nos campos da China, pelo menos visualmente
Na campanha olímpica, o Brasil de Dunga teve raros instantes de bom futebol, mas de fato nunca chegou a transmitir ao torcedor a cara de um time preparado para chegar ao ouro. Na primeira fase, passou por adversários pouco exigentes, como Bélgica (1 a 0), Nova Zelândia (5 a 0) e China (3 a 0).
A primeira dificuldade da equipe na trajetória na China apareceu no confronto com Camarões nas quartas-de-final, pautada pela demanda física imposta pelos africanos. A sofrida vitória por 2 a 0 veio apenas na prorrogação, com gols de Rafael Sobis e Marcelo.
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Na semifinal, o time teve atuação decepcionante contra a Argentina, sendo dominado pelo arqui-rival desde o início, até com alguma facilidade. O time de Dunga acabou a partida com dois jogadores expulsos e com o placar adverso de 3 a 0, que no fim pareceu até pouco.
A campanha do bronze nos Jogos de Pequim adiciona pressão à situação de Dunga no comando da seleção principal do Brasil, que já não era das melhores, em razão dos últimos resultados nas eliminatórias. A expectativa é que somente um desempenho extraordinário na próxima rodada dupla do torneio qualificatório (contra Chile e Bolívia), no começo de setembro, faça o treinador segurar o seu cargo.
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