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Região de chacina que deixou 15 mortos no PR virou rota de contrabando

23/09/2008 - 13:56:11 - Agência Folha, em Curitiba e Foz do Iguaçu


Uma chacina ocorrida na tarde de ontem deixou 15 pessoas mortas em Guaíra (PR)

Uma chacina ocorrida na tarde de ontem deixou 15 pessoas mortas em Guaíra (PR), entre elas duas adolescentes e um rapaz. A região, na fronteira noroeste do Paraná com o Paraguai, é a nova rota adotada por contrabandistas e traficantes de drogas e armas.

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O movimento é constatado depois que a fiscalização foi intensificada na chamada Tríplice Fronteira, entre Brasil, Argentina e Paraguai, na região de Foz do Iguaçu (640 km de Curitiba). A nova rota dos criminosos foi adotada há mais de dois anos, desde que a aduana brasileira na ponte da Amizade, que liga Foz e Ciudad del Este, passou a fiscalizar 100% dos produtos que deixam o Paraguai.

"Os criminosos estão transferindo aquele comércio ilegal para Guaíra por causa do aperto na ponte da Amizade", diz o secretário da Segurança do Paraná, Luiz Fernando Delazari.

Entre setembro e agosto, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) fez duas apreensões de armas em Guaíra que seguiriam para o Rio. No dia 7 deste mês, dois homens foram presos com 14 pistolas e uma metralhadora, compradas no Paraguai. Em agosto, a PRF interceptou um carregamento de uma tonelada de maconha e quatro metralhadoras, que também iriam para o Rio.

Na semana passada, policiais federais da delegacia de Guaíra apreenderam duas carretas com 40 mil pacotes de cigarros contrabandeados do Paraguai. Em abril deste ano, uma operação da Secretaria da Segurança e da Polícia Federal desarticulou uma quadrilha de 47 pessoas envolvidas no contrabando de cigarros --44 eram policiais (35 militares e nove civis).

A delegacia da PF em Guaíra toca mais de 800 inquéritos relacionados a casos de contrabando e tráfico de armas e drogas nos últimos três anos.

Devido ao intenso comércio ilegal de cigarros, a Justiça Federal em Umuarama (580 km de Curitiba) tem aberto inquéritos para apurar redes de corrupção que contam com a cobertura de policiais e políticos de municípios da região.

Umuarama

No último dia 19, a casa de um juiz federal de Umuarama (580 km de Curitiba) foi alvo de tiros. Ao menos dez disparos atingiram a casa do diretor do fórum da Justiça Federal do município, Luiz Carlos Canalli.

Em fevereiro, houve outro atentado contra outro juiz federal de Umuarama. Naquele mês, o carro do juiz Jail Benites Azambuja foi atingido por tiros. Azambuja não se feriu.

Apesar de a PF não ter visto ligação nos dois casos, a Folha apurou que os dois atentados têm relação com o cerco ao tráfico de drogas e ao contrabando na região.

Chacina


A chacina é a maior já registrada no Estado --além dos 15 mortos, oito pessoas ficaram feridas. A principal suspeita é que a chacina tenha sido causada por conta de uma disputa entre quadrilhas brasileiras de traficantes de drogas, cigarros e produtos eletrônicos que atuam na região.

A polícia afirma já ter identificado os autores da chacina. A Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública) estima que ao menos cinco pessoas participaram dos assassinatos. Eles teriam fugido de barco pelo rio Paraná para o país vizinho logo após o crime.

Ontem, o secretário da Segurança, Luiz Fernando Delazari, afirmou que o crime foi "um acerto de contas entre traficantes". O governo do Paraná solicitou ajuda da polícia paraguaia para prender os suspeitos.

De acordo com o secretário, os criminosos chegaram ao local, na Vila Santa Clara, e procuravam por um homem conhecido como Polaco, que já cumpriu pena por trafico de drogas e que estaria devendo R$ 4.000 para a quadrilha. Ele também já teriam ordenado o assassinato de um traficante rival.

O secretário afirma que, em um dos barracos, foram encontrados Polaco e mais duas mulheres --todos acabaram mortos. "Forçaram o Polaco a ligar para seus comparsas e pedir que fossem a um galpão próximo ao barraco e que provavelmente era usado para o tráfico de drogas. À medida que iam chegando ao galpão, eles eram rendidos e amarrados pelos assassinos. Foram todos executados com tiros de [espingarda] calibre 12, 9 milímetros e [revólver calibre] 38", disse Delazari.

 

 

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